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R. Rosa Lotfi de Almeida Bueno, 155 Vila Nastri II, Itapetininga (SP). CEP: 18.206-390
Entenda como funciona a classificação GHS em relação aos perigos físicos, seus critérios técnicos e os impactos na FDS, rotulagem e conformidade regulatória.
Perigos físicos, no Sistema Globalmente Harmonizado (GHS), são propriedades intrínsecas de substâncias e misturas que podem ocasionar eventos como explosões, incêndios, reações violentas, liberação rápida de energia ou danos a materiais. Em geral, estão relacionados ao comportamento físico-químico do produto sob determinadas condições (calor, choque, atrito, umidade, contato com ar/água), o que demanda critérios objetivos e mensuráveis.
Diferentemente dos perigos à saúde humana ou ao meio ambiente, os perigos físicos têm foco na inflamabilidade, reatividade, estabilidade térmica e potencial de oxidação/corrosão. Essa distinção é essencial para a correta comunicação de perigo em FDS e rótulos GHS, e para não confundir critérios com aqueles aplicáveis ao transporte de produtos perigosos, que possuem escopo e abordagem próprios.
No GHS, cada classe de perigo físico é definida por uma descrição normativa e por critérios de classificação estruturados em categorias de severidade. As definições se apoiam em parâmetros técnico-metrológicos (por exemplo, ponto de fulgor, ponto de ebulição, taxa de queima, sensibilidade a choque/atrito, estabilidade térmica) e em métodos de ensaio harmonizados.
Essas definições servem como “porta de entrada” para a seleção dos elementos de comunicação (palavra de advertência, pictogramas, frases H e P) que comporão a Seção 2 da FDS e o rótulo. Portanto, entender a definição é um passo prévio para evitar inconsistências documentais, divergências entre documentos internos e a rotulagem no mercado e também possíveis acidentes no ambiente de trabalho.
As manifestações de perigo físico podem variar significativamente com pequenas mudanças de composição, impurezas, solventes ou estabilizantes. Por isso, a avaliação deve ser baseada em dados primários confiáveis e em ensaios padronizados, quando aplicáveis, e não apenas em analogias com produtos similares.
Além disso, certos perigos (autorreatividade ou piroforicidade, por exemplo) têm comportamento fortemente dependente das condições de ensaio e do histórico térmico do material. Ou seja, os critérios técnicos específicos e protocolos de teste claros são indispensáveis para reduzir incertezas e assegurar que a classificação GHS esteja alinhada ao desempenho real do produto.
A estrutura do GHS organiza os perigos em classes (tipo de perigo, como “Líquidos inflamáveis”, por exemplo) e, dentro das classes, há as categorias (graus de severidade que podem ir de 1 à 4, por exemplo). A lógica combina critérios qualitativos e quantitativos, vinculados a métodos de ensaio reconhecidos, garantindo comparabilidade entre fabricantes, países e setores.
A categorização é determinante para a comunicação de perigo: define quais pictogramas devem estar no rótulo, qual palavra de advertência (Perigo/Atenção) e quais frases H/P são obrigatórias. No Brasil, a ABNT NBR 14725 é a referência para aplicar essa estrutura na FDS e na rotulagem, harmonizando o GHS ao contexto nacional.
Entre as classes típicas estão: explosivos; gases inflamáveis; aerossóis; “chemicals under pressure”/gases sob pressão; líquidos inflamáveis; sólidos inflamáveis; substâncias/misturas autorreativas; peróxidos orgânicos; substâncias pirofóricas e autoaquecíveis; substâncias que liberam gás inflamável em contato com água; oxidantes (líquidos e sólidos); e corrosivo para metais.
Cada classe possui fronteiras técnicas bem definidas, refletidas em protocolos de ensaio específicos. A correta identificação da classe é o primeiro filtro para direcionar os testes necessários, evitar retrabalho e garantir que a Seção 2 da FDS represente o real perfil de perigo físico do produto.
As categorias distinguem a severidade dentro de cada classe. Em líquidos inflamáveis, por exemplo, o ponto de fulgor e o ponto de ebulição guiam as categorias 1 a 4; em autorreativos e peróxidos orgânicos, a classificação em Tipos (A à G) deriva de ensaios de estabilidade térmica, sensibilidade e potência.
Os critérios de categorização resultam em requisitos objetivos de comunicação (pictogramas e frases H específicas). Assim, a categoria é o elo entre a propriedade mensurável do produto e a mensagem que chegará ao usuário por meio do rótulo e da FDS.
Galão de produto químico sinalizado e rotulado conforme classificação GHS. Fonte: Canva.
A diversidade de classes reflete a variedade de mecanismos físico-químicos que podem gerar eventos críticos. Produtos com aparente semelhança comercial podem diferir substancialmente em termos de ponto de fulgor, taxa de decomposição ou suscetibilidade a ignição espontânea, levando a categorias distintas. Vale ressaltar que replicar dados com base apenas em produtos semelhantes pode gerar informações imprecisas para o produto avaliado, resultando em inconformidades na FDS e na rotulagem, além de comprometer práticas seguras de manuseio.
Por essa razão, é essencial aplicar uma abordagem de avaliação por etapas no produto em questão: triagem documental, checagem de especificações, análise de dados existentes, definição de lacunas e, quando necessário, planejamento de ensaios para confirmação da classe e categoria.
Explosivos são substâncias, misturas ou artigos capazes de sofrer reação exotérmica extremamente rápida, produzindo gases e calor com efeitos de pressão. A classificação GHS considera divisões e tipos, apoiada em séries de testes padronizados para verificar detonação, deflagração e sensibilidade.
Na prática, muitos produtos da indústria química não são fornecidos como explosivos, mas podem conter impurezas, peróxidos formados in situ ou apresentar instabilidades que exijam avaliação de autorreatividade. O diagnóstico precoce reduz riscos de operação e de armazenagem.
Gases inflamáveis são aqueles que podem inflamar no ar a 20 °C e 101,3 kPa; já aerossóis e “chemicals under pressure” têm critérios próprios, combinando inflamabilidade do conteúdo, pressão interna e composição. Para gases sob pressão, o foco é o estado físico e a pressão de acondicionamento.
Essas classes demandam dados de inflamabilidade, limites de inflamabilidade e, em aerossóis, ensaios específicos de ignição e propagação de chama. O enquadramento correto evita a ausência indevida de pictogramas de chama ou cilindro de gás no rótulo.
A classificação é guiada principalmente pelo ponto de fulgor e, em alguns casos, pelo ponto de ebulição. Métodos como Pensky-Martens, Abel ou Tag são empregados conforme normas aceitas e faixa de medição.
A seleção do método deve considerar a matriz, a volatilidade e a precisão requerida. Laudos inconsistentes (método inadequado para o produto) podem deslocar a categoria e gerar inconformidade na Seção 2 da FDS.
São materiais capazes de inflamar por atrito, calor ou fontes de ignição e que queimam rapidamente. Os ensaios avaliam a velocidade de combustão e a facilidade de ignição sob condições padronizadas.
A presença de finos, umidade e aditivos anti aglomerantes pode alterar o comportamento de queima. Por isso, recomenda-se a amostragem representativa e controle do histórico de processamento antes do ensaio.
Autorreativos têm tendência à decomposição fortemente exotérmica, sem necessidade de oxigênio. A classificação em Tipos (A à G) depende de ensaios como DSC, testes em recipiente fechado e provas de detonação/deflagração.
Produtos que exigem temperatura de controle/temperatura de emergência devem ter essas condições refletidas na FDS (Seções 7, 10 e 14) e na rotulagem, com medidas de armazenamento e transporte compatíveis com a estabilidade térmica.
Substâncias pirofóricas podem inflamar espontaneamente ao contato com o ar; autoaquecíveis aumentam de temperatura em contato com o ar sem aporte externo, podendo atingir ignição. Ambas requerem ensaios de ignição espontânea e avaliação do comportamento em pilhas.
Esses perigos são sensíveis à granulometria, umidade e histórico de armazenamento. A gestão de risco deve incluir controle de atmosfera inerte (quando aplicável) e embalagens adequadas.
Reagem com água liberando gases inflamáveis, frequentemente hidrogênio. O critério usa a taxa de liberação de gás por unidade de tempo em condições de ensaio padronizadas.
Operacionalmente, medidas de segregação (longe de umidade) e informações claras na FDS/rotulagem são essenciais para manuseio e resposta a emergências.
Os oxidantes não são necessariamente combustíveis, mas podem causar ou contribuir para a combustão de outros materiais. Os ensaios comparativos avaliam a capacidade de fornecer oxigênio ou intensificar a combustão.
A presença de oxidantes em misturas exige atenção redobrada a compatibilidades químicas e segregação de armazenagem, refletidas na Seção 7 (manuseio/armazenamento) e na Seção 10 (estabilidade/reatividade) da FDS.
São termicamente instáveis e podem sofrer decomposição exotérmica. A classificação por Tipos (A à G) decorre de ensaios que avaliam potência explosiva, necessidade de temperatura de controle e sensibilidade.
Em operações, requerem cadeia fria, estabilizantes e embalagens compatíveis. Essas condições devem estar descritas de forma inequívoca na FDS e no rótulo.
Consiste em materiais que atacam quimicamente metais com taxa de corrosão acima de limiares padronizados (geralmente em aço e alumínio). O critério é metrológico e demanda ensaio sob condições controladas.
A classificação como corrosivo para metais não implica, automaticamente, corrosividade cutânea; são classes distintas. A FDS deve refletir essa independência, evitando extrapolações indevidas entre perigos físicos e à saúde.
A robustez da classificação GHS depende de dados quantitativos: laudos de ponto de fulgor, limites de inflamabilidade, estabilidade térmica, taxas de decomposição e resultados de testes ONU (quando aplicáveis). Quanto mais completo o dossiê, menor o risco de revisões e não conformidades.
Fontes típicas incluem relatórios de fornecedores, literatura validada, bases regulatórias, laudos de laboratório e publicações técnicas. Em ausência de dados, planeje ensaios críticos priorizando os produtos com maior risco operacional ou incerteza técnica. Se for necessário atualizar documentos, veja o artigo atualização de FISPQ para FDS.
Profissionais em laboratório realizam análises técnicas. Fonte: Canva.
Para inflamáveis, selecione o método de ponto de fulgor compatível com a matriz e a faixa de medição; para autorreativos e peróxidos, aplique as séries de testes (e.g., DSC, detonação/deflagração) conforme protocolos ONU; para oxidantes, adote ensaios comparativos padronizados; para corrosivo a metais, determine taxa de corrosão em materiais de referência.
Documente meticulosamente o método, condições de ensaio, incerteza e rastreabilidade metrológica. Esses elementos são de extrema importância, pois justificam a categoria e servem de evidência em auditorias e fiscalizações.
Quando se tratar de uma mistura, dados de ingredientes podem orientar, mas o comportamento do formulado pode divergir. Sempre que possível, priorize dados diretos do produto para confirmação da classe/categoria.
Se optar por extrapolação, descreva a base técnica (percentuais, propriedades críticas) e registre as incertezas. Em caso de dúvidas relevantes, programe o ensaio do produto formulado.
A classificação de perigos físicos alimenta a Seção 2 da FDS e define os elementos do rótulo GHS: pictogramas, palavras de advertência e frases H/P. A coerência entre Seção 2 e demais seções (5, 7, 9, 10 e 14) é chave para um documento tecnicamente sólido.
Além disso, a rotulagem no ponto de uso deve refletir a mesma decisão de classe/categoria. Divergências entre FDS e rótulo comprometem a conformidade e a credibilidade do sistema de gestão.
A Seção 2 lista as classes e categorias, pictogramas e frases H/P. Mudanças de categoria (por novos dados ou revisão normativa) exigem atualização imediata dessa seção e verificação de impactos correlatos nas Seções 7 (armazenamento), 10 (estabilidade/reatividade) e 14 (transporte).
Para perigos que demandam temperatura de controle ou segregação específica, reforce as condições operacionais nas seções pertinentes, evitando contradições com a comunicação da Seção 2. Consulte nosso conteúdo sobre gestão de produtos químicos para boas práticas.
O GHS (produto/uso) e os Regulamentos de Transporte têm objetivos distintos. A classificação GHS não substitui o enquadramento para transporte (número ONU, classe/risco, grupo de embalagem). Harmonize as duas visões, mas evite transpor critérios sem validação.
Na prática, inclua na FDS (Seção 14) o enquadramento de transporte quando aplicável e assegure que o rótulo de produto não reproduza indevidamente marcações específicas de transporte.
Copiar e colar classificações de SDS estrangeiras sem verificar critérios, método de ensaio e versão do GHS é um dos erros mais frequentes. Isso tende a gerar pictogramas inadequados, frases incompatíveis e inconsistências com a ABNT NBR 14725, pois muitos critérios são diferentes no Brasil quando comparados à outros países.
Outro erro recorrente é omitir dados quantitativos ou utilizar laudos obsoletos. Sem base metrológica atualizada, a classificação tende a superestimar a categoria (maiores custos e restrições) ou subestimar (maior risco operacional e regulatório).
As SDS de outros países refletem versões do GHS e adaptações locais diferentes. Antes de adotar, verifique critérios, métodos e notas específicas. Quando houver lacuna, complemente com ensaios ou dados do fornecedor em conformidade com a norma vigente no Brasil.
Padronize ainda a terminologia e a estrutura de comunicação para a língua portuguesa e para os requisitos formais da ABNT NBR 14725, garantindo equivalência técnica e documental.
Sem dados primários de boa qualidade, a classificação perde rastreabilidade. Programe ensaios críticos (ponto de fulgor, estabilidade térmica, testes ONU, taxa de corrosão) e exija dos fornecedores certificados com método declarado.
Implemente um processo de revisão técnica que valide se o método é adequado ao produto e à faixa esperada; laudos com método incompatível podem deslocar a categoria e comprometer a conformidade.
Misturar os critérios leva a rótulos equivocados e a documentos de transporte inconsistentes. O GHS trata de comunicação ao usuário; o transporte trata de segurança logística e embalagem sob regulamentos próprios.
A solução é gerenciar as duas visões em paralelo, com responsáveis e checklists específicos, conciliando-as na FDS (Seção 14) sem sobreposição de critérios.
O Purple Book é revisado periodicamente, introduzindo novas notas, ajustes de critérios e, por vezes, novas classes/definições. Essas mudanças impactam diretamente a seleção de pictogramas, frases H/P e a estrutura da FDS.
No Brasil, atualizações e corrigendas da ABNT NBR 14725 devem ser monitoradas e incorporadas aos documentos regulatórios internos. Uma rotina de revisão programada previne descompassos com auditorias e clientes.
A ABNT NBR 14725 internaliza a aplicação do GHS para classificação, FDS e rotulagem. Consulte a versão vigente e suas corrigendas no catálogo oficial e registre, em seus procedimentos internos, a referência normativa aplicada (nº da norma, ano/edição/corrigenda).
Em caso de mudanças relevantes (por exemplo aerossóis, “chemicals under pressure”, notas técnicas), planeje reclassificação e atualização de FDS/rótulos com comunicação formal às partes interessadas.
Revise a qualquer tempo quando houver: (i) nova versão do Purple Book ou da NBR 14725; (ii) alteração de formulação/processo; (iii) novos dados de ensaio/fornecedor; (iv) incidentes operacionais; (v) não conformidades detectadas em auditorias ou reclamações de clientes.
Defina um ciclo de revisão (por exemplo, anual) e um gatilho de revisão extraordinária para mudanças críticas, registrando decisões e justificativas técnicas. Em atualizações, siga as orientações do artigo atualização de FISPQ para FDS.
A Sudeste Online oferece serviços integrados de avaliação técnica, classificação GHS, elaboração e revisão de FDS e rótulos em conformidade com a ABNT NBR 14725. Nosso processo foca na rastreabilidade dos dados, coerência entre decisões de classe/categoria e a comunicação de perigo.
Combinamos análise documental, revisão crítica de laudos, identificação de lacunas e, quando necessário, recomendação/gestão de ensaios. O resultado é uma documentação robusta, pronta para auditorias e para aplicação em chão de fábrica e cadeia de suprimentos.
Executamos a revisão sistemática de dados físico-químicos, avaliamos a adequação dos métodos de ensaio, checamos a versão normativa aplicada e emitimos parecer técnico com fundamentação e trilha de auditoria.
Quando pertinente, sugerimos ajustes de categoria, inclusão/remoção de pictogramas e atualização de frases H/P, sempre vinculando cada decisão às evidências técnicas. Em cenários complexos, apoiamos a integração com INSQ / inventário de substâncias.
Desenvolvemos FDS (Seções 1 à 16) e rótulos em português, aderentes à NBR 14725 e à terminologia GHS, garantindo consistência entre Seção 2 (identificação de perigos), medidas de prevenção/resposta e informações de transporte (Seção 14).
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A classificação de perigos físicos é o alicerce da comunicação de riscos no GHS. Baseada em dados e ensaios padronizados, ela direciona os elementos do rótulo, estrutura a Seção 2 da FDS e orienta medidas de controle nas operações.
Manter as classificações atualizadas, com processos de revisão, documentação de evidências e governança normativa, reduz riscos técnicos, jurídicos e reputacionais, além de fortalecer a confiança na comunicação com clientes e autoridades.
Roberta Jorge
Graduanda em Biomedicina e Especialista de Assuntos Regulatórios
R. Rosa Lotfi de Almeida Bueno, 155 Vila Nastri II, Itapetininga (SP). CEP: 18.206-390
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